quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

A última carta

Londres, 7 de Julho de 2013.

Olá, Andrew.

Não sei muito bem o que escrever, não é como se fizesse alguma diferença agora. Sinto a tua falta. Decidi escrever esta carta para tentar amenizar a dor que sinto, mas acho que não está a resultar. Cada palavra que escrevo, cada pensamento meu sobre ti só me faz sentir pior comigo mesmo. 
Por que fizestes isto, Andrew? Quer dizer, eu compreendo em parte o porquê, mas não concordo. Eu sei como era difícil para ti, mas também era difícil para mim! A pressão a que eu estava submetido, não podia deixar que ninguém descobrisse sobre nós.
Apesar de não o mostrar na frente de ninguém, os meus sentimentos por ti eram reais. E tu sabias disso. Todos os beijos, todas as mensagens, todos os carinhos e todas as palavras que trocámos um com o outro - nada disso importa mais. 
Eu devia ter impedido eles de te machucarem. Apesar de eles nunca terem encostado um dedo em ti, eles te magoavam psicologicamente. Era a minha obrigação como teu namorado proteger-te de tudo e todos, mas não consegui proteger-te de ti próprio.
No dia em que te encontraram no teu quarto, com uma corda agarrada ao teu pescoço, eu simplesmente não conseguia compreender o que se estava a passar. Era tudo demasiado surreal para mim.
Eu amo-te tanto, Andrew. Oh, Deus, se amo. Nunca pensei em dizer isto tão cedo na minha vida, mas eu amo-te e não tenho vergonha de o admitir, não mais.
Chega de mais lágrimas desperdiçadas, de noites sem-fim, atormentadas por horríveis pesadelos.
Sei que a vida foi um inferno para ti, mas espero que tenhas encontrado paz na morte.
E, com isto escrito, eu dou o meu último suspiro. O meu corpo e alma estão totalmente em paz. Está na hora de me receberes na tua utopia infinita.

Com muito amor e carinho, Nathan.


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