Portugal, 2015.
O sol estava quase a pôr-se, dando uma tonalidade alaranjada naquela atmosfera paradisíaca.
Eduardo estava sentado na areia da praia. O vento tinha feito com que o seu cabelo ficasse totalmente desarrumado, mas não se importava. Adorava o cheiro do oceano e a textura da areia branca nos seus pés.
Para animar aquele dia, havia uma festa ali perto, na mesma praia. Via-se casais por todos os lados, a beijarem-se e a consumirem bebidas alcoólicas de uma maneira irresponsável.
Eduardo levantou-se e dirigiu os pés nus para o mar. A água estava morna, o que era normal para aquela região do sul. Flectiu os joelhos e pôs-se a procurar conchas. Mesmo ao seu lado estava uma concha de uma coloração azulada com pontinhos escuros. Uma beleza rara de se contemplar.
Sorriu e guardou-a no bolso e decidiu voltar para a areia. Como estava a ficar demasiado frio, aderiu os dedos na mochila que trazia consigo e retirou de lá uma toalha, enroscando-se nela.
Passaram-se cerca de quinze minutos quando Eduardo ouviu um barulho atrás de si e virou o pescoço para a origem do som.
- Tomás! - exclamou, levantando-se num salto. Correu até o rapaz, abraçando-o com força. - Viestes!
O rapaz envolveu também os seus braços na silhueta magra de Eduardo, sorridente. - Tinhas dúvidas?
- Claro que não.
Eduardo levou os dedos até ao couro cabeludo do namorado, despenteando-o carinhosamente - Tinha tantas saudades tuas.
- Também eu. - Colocou a cabeça sobre o ombro do namorado- Estás aqui há muito tempo?
- O tempo suficiente - Eduardo parou de remexer nos caracóis de Tomás e levantou-se. Puxou a mão do namorado e guiou-o até à água. - Anda.
- O que foi? - perguntou Tomás.
- Hoje encontrei esta concha aqui. - retirou a beleza natural do bolso e mostrou-a. - Fica com ela. Será uma lembrança quando fores para o Porto.
Tomás aceitou a prenda de bom grado, costurando um sorriso tristonho no rosto. - Vou ter tantas saudades tuas...
- Ei. - Eduardo levou os dedos até ao queixo do outro, levantando-lhe o rosto com suavidade. - Não vamos começar com tristezas.
Tomás abraçou-o com toda a força que tinha e, logo após, beijou-o. Um beijo carinhoso e, ao mesmo tempo, desajeitado, do jeito que Eduardo gostava. - Todos os dias olho para ti e percebo a sorte que tenho de te ter ao meu lado.
- Sabes que sempre vou estar lá para ti, não sabes? - perguntou Eduardo, passando a mão pelo rosto do outro.
- Até o mundo acabar.

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